Da Forma e da Função

Onde Sullivan se esqueceu de Emerson

Publicado em História do Pensamento, Louis Sullivan por lulaassassina, em Fevereiro 16, 2010

Dai, pois, a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus. – (Mateus 22:21)

Embora tenha sido o ensaio Natureza que perpetuou a celebrização de Emerson, é no Confiança em Si que vemos, com mais clareza, onde os seus subsequentes deixaram de espelhar Emerson.

Apontando, no caso de Sullivan, é na transferência do Ser para uma supra-entidade que se instala a incongruência para com o pensamento de Emerson. (mais…)

Buda vs Nietzsche

Publicado em Fait-divers, História do Pensamento por lulaassassina, em Fevereiro 10, 2010

A questão é: se Buda e Nietzsche se defrontassem, poderia algum de eles apresentar argumento que apelasse para um ouvinte imparcial? Não estou a pensar em argumentos políticos. Podemos imaginá-los perante o Omnipotente, como no primeiro capítulo do Livro de Job, dando conselho para a espécie de mundo que ele criara. Que poderiam dizer? (mais…)

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Supra-Entidades I

Publicado em Fait-divers, História do Pensamento por lulaassassina, em Fevereiro 4, 2010

(…) não se deve pensar que é necessário pressupor a existência de Deus como um fundamento de toda a obrigação em geral (pois, como foi suficientemente mostrado, esta repousa unicamente na autonomia da própria razão). O que pertence ao dever aqui é apenas o empenho em produzir e promover o bem supremo no mundo, cuja possibilidade pode portanto ser postulada, dado que para a nossa razão isto só é pensável sob o pressuposto de uma inteligência suprema;

Crítica da Razão Prática, Immanuel Kant


Assim como no período clássico grego, o Modernismo foi uma época especialmente fértil na criação de supra-entidades: da Máquina ao Progresso, passando pela Natureza, ressuscitando a Razão e saturnizando a Sociedade, legitimando a Ciência.

Se, por um lado, Kant não se objecta à existência de Deus, opõe-se, claramente, ao depósito compulsivo da razão de todas as coisas em Deus. E aqui surge, provavelmente, o momento inaugural da desconstrução do pensamento teleológico ocidental. (mais…)

A Ideia (ou Forma) Platónica

Publicado em História do Pensamento por lulaassassina, em Fevereiro 4, 2010

A ideia de um motivo, propósito ou origem anterior ao morforma não é uma invenção da (pré-)modernidade. Se encararmos o mote a forma segue a função numa perspectiva teosófica, a proposição aristotélica, de que as coisas servem a um propósito, facilmente nos remete à Teoria das Formas (ou das Ideias) de Platão.

Este último interessa-nos como referencial no tempo e no pensamento, pois o seu periférico – quer como convergência de ideias, como ponto de partida – é determinante para a compreensão dos vectores de pensamento apontados por Platão.

Retomando, Platão formula a Teoria das Formas e Aristóteles concorda, embora com pressupostos vincadamente divergentes. A teoria é simples: existem as Formas – supraentidades de formas (ou ideias, já que εἶδος, o termo que Platão usa, tanto se traduz como aparência ou como ideia) não-materiais e abstractas, num seu mundo próprio, inalteráveis e imortais, que nunca nos surgem manifestadas; reside, neste mundo das Formas, a verdade e esta é inteligível, enquanto que o mundo sensível, ou o dos objectos que conhecemos através das sensações, é apenas uma imitação da ideia ulterior de Forma, portanto, uma ilusão. (mais…)

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